Caminhoneiros iniciam paralisação em portos e pressionam Senado pelo frete
- 13/07/2026
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Uma paralisação de caminhoneiros foi anunciada para começar à 0h desta segunda-feira (13), com mobilizações previstas em portos de diferentes regiões do Brasil. O movimento foi divulgado pelo presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido nacionalmente como Chorão.
Segundo a entidade, o principal objetivo da mobilização é pressionar o Senado Federal a votar a Medida Provisória 1.343, considerada estratégica para a categoria por estabelecer novas regras para o transporte rodoviário de cargas e fortalecer a política do piso mínimo do frete.
A proposta já recebeu aprovação da Câmara dos Deputados e reúne mudanças relevantes para o setor. Entre elas estão a obrigatoriedade do registro das operações por meio do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), mecanismos para impedir contratações abaixo do piso mínimo do frete, ampliação da fiscalização pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), prazo máximo para pagamento do frete em até 30 dias úteis e possibilidade de adiantamento de até 70% do valor contratado.
O texto também prevê a criação de um piso salarial nacional de R$ 5 mil para motoristas empregados em operações de longa distância, além da anistia de determinadas multas aplicadas durante bloqueios de rodovias ocorridos em manifestações anteriores.
De acordo com Wallace Landim, a paralisação deverá permanecer enquanto não houver uma sinalização concreta sobre a apreciação da medida pelo Senado. A estratégia busca ampliar a pressão política em torno da proposta antes do término do prazo previsto para sua deliberação.
A mobilização, entretanto, também desperta preocupação em diversos segmentos da economia. Representantes do agronegócio, da indústria e do setor logístico alertam para possíveis reflexos sobre contratos de transporte, aumento dos custos operacionais, abastecimento de mercadorias e segurança jurídica das operações de frete.
Especialistas acompanham com atenção os possíveis impactos da paralisação, principalmente nos portos, que concentram grande parte da movimentação de cargas destinadas ao mercado interno e às exportações. Qualquer interrupção prolongada pode provocar efeitos em diferentes cadeias produtivas.
O cenário recoloca os caminhoneiros no centro das discussões econômicas nacionais, evidenciando a importância estratégica do transporte rodoviário para o funcionamento da economia brasileira. Os próximos dias deverão ser decisivos para definir o andamento da votação no Senado e os desdobramentos da mobilização anunciada pela categoria.
Por: Roberto Neander
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